terça-feira, 15 de novembro de 2022

Verbos desfilar; comer e partir no indicativo, subjuntivo imperativo af...

transitivo; intransitivo

Indicativo
PresentePretérito
imperfeito
Pretérito
perfeito
Pretérito
mais-que-perfeito
Futuro
imperfeito
Futuro
perfeito (condicional)
desfilo
desfilas
desfila
desfilamos
desfilais
desfilam
desfilava
desfilavas
desfilava
desfilávamos
desfiláveis
desfilavam
desfilei
desfilaste
desfilou
desfilamos / desfilámos
desfilastes
desfilaram
desfilara
desfilaras
desfilara
desfiláramos
desfiláreis
desfilaram
desfilarei
desfilarás
desfilará
desfilaremos
desfilareis
desfilarão
desfilaria
desfilarias
desfilaria
desfilaríamos
desfilaríeis
desfilariam
Conjuntivo / SubjuntivoImperativoInfinitivoOutras formas
PresentePretérito imperfeitoFuturoAfirmativo
(Negativo)
desfilarGerúndio
desfile
desfiles
desfile
desfilemos
desfileis
desfilem
desfilasse
desfilasses
desfilasse
desfilássemos
desfilásseis
desfilassem
desfilar
desfilares
desfilar
desfilarmos
desfilardes
desfilarem
-
desfila (desfiles)
desfile
desfilemos
desfilai (desfileis)
desfilem
Pessoal

desfilar
desfilares
desfilar
desfilarmos
desfilardes
desfilarem
desfilando

Particípio passado
desfiladodesfilada
desfiladosdesfiladas

terça-feira, 22 de março de 2022

LITERATURA - MORTE E VIDA SEVERINA - João Cabral de Melo Neto

SUGESTÃO DE TRABALHO ESCOLAR 
MORTE E VIDA SEVERINA (João Cabral de Melo)


ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O LEVARAM AO CEMITÉRIO

   Essa cova em que estás,

com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.


É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
deste latifúndio.

 

Não é cova grande,
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.


É uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.


É uma cova grande
para teu defunto parco,
porém mais que no mundo
te sentirás largo.


É uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
não se abre a boca.


Viverás, e para sempre,
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.


Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.


Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.


Trabalharás uma terra
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator.

 

 

Trabalhando nessa terra,
tu sozinho tudo empreitas:
serás semente, adubo, colheita.

 

Trabalharás numa terra
que também te abriga e te veste:
embora com o brim do Nordeste.

 

Será de terra tua derradeira camisa:
te veste, como nunca em vida.
Será de terra e tua melhor camisa:
te veste e ninguém cobiça.


Terás de terra
completo agora o teu fato:
e pela primeira vez, sapato.


Como és homem,
a terra te dará chapéu:
fosses mulher, xale ou véu.


Tua roupa melhor
será de terra e não de fazenda:
não se rasga nem se remenda.


Tua roupa melhor
e te ficará bem cingida:
como roupa feita à medida.


Esse chão te é bem conhecido
(bebeu teu suor vendido).


Esse chão te é bem conhecido
(bebeu o moço antigo).


Esse chão te é bem conhecido
(bebeu tua força de marido).


Desse chão és bem conhecido
(através de parentes e amigos).


Desse chão és bem conhecido
(vive com tua mulher, teus filhos).


Desse chão és bem conhecido
(te espera de recém-nascido).


Não tens mais força contigo:
deixa-te semear ao comprido.


Já não levas semente viva:
teu corpo é a própria maniva.


Não levas rebolo de cana:
és o rebolo, e não de caiana.


Não levas semente na mão:
és agora o próprio grão.


Já não tens força na perna:
deixa-te semear na coveta.


Já não tens força na mão:
deixa-te semear no leirão.


Dentro da rede não vinha nada,
só tua espiga debulhada.


Dentro da rede vinha tudo,
só tua espiga no sabugo.


Dentro da rede coisa vasqueira,
só a maçaroca banguela
.


Dentro da rede coisa pouca,
tua vida que deu sem soca.


Na mão direita um rosário,
milho negro e ressecado.


Na mão direita somente
o rosário, seca semente.


Na mão direita, de cinza,
o rosário, semente maninha
.


Na mão direita o rosário,
semente inerte e sem salto.


Despido vieste no caixão,
despido também se enterra o grão.


De tanto te despiu a privação
que escapou de teu peito a viração.


Tanta coisa despiste em vida
que fugiu de teu peito a brisa.
E agora, se abre o chão e te abriga,
lençol que não tiveste em vida.
Se abre o chão e te fecha,
dando-te agora cama e coberta.
Se abre o chão e te envolve,
como mulher com quem se dorme.

 

Fonte: https://www.passeiweb.com/morte_e_vida_severina/

 

 

segunda-feira, 21 de março de 2022

ORIENTAÇÃO SOBRE A APRESENTAÇÃO DO TEXTO MORTE E VIDA SEVERIDA (João Cab...



ORIENTAÇÃO SOBRE A APRESENTAÇÃO DO TEXTO MORTE E VIDA SEVERIDA (João Cabral de Melo Neto)

UMA MULHER, DA PORTA DE ONDE SAIU O HOMEM, ANUNCIA-LHE O QUE SE VERÁ

— Compadre José, compadre,
que na relva estais deitado:
conversais e não sabeis
que vosso filho é chegado?
Estais aí conversando
em vossa prosa entretida:
não sabeis que vosso filho
saltou para dentro da vida?
Saltou para dento da vida
ao dar o primeiro grito;
e estais aí conversando;
pois sabei que ele é nascido.


APARECEM E SE APROXIMAM DA CASA DO HOMEM VIZINHOS, AMIGOS, DUAS CIGANAS ETC.

— Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor.
Foi por ele que a maré
esta noite não baixou.

— Foi por ele que a maré
fez parar o seu motor:
a lama ficou coberta
e o mau-cheiro não voou.
— E a alfazema do sargaço,
ácida, desinfetante,
veio varrer nossas ruas
enviada do mar distante.

— E a língua seca de esponja
que tem o vento terral
veio enxugar a umidade
do encharcado lamaçal.
— Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor
e cada casa se torna
num mocambo sedutor.

— Cada casebre se torna
no mocambo modelar
que tanto celebram os
sociólogos do lugar.
— E a banda de maruins
que toda noite se ouvia
por causa dele, esta noite,
creio que não irradia.

— E este rio de água cega,
ou baça, de comer terra,
que jamais espelha o céu,
hoje enfeitou-se de estrela

 

COMEÇAM A CHEGAR PESSOAS TRAZENDO PRESENTES PARA O RECÉM-NASCIDO

— Minha pobreza tal é
que não trago presente grande:
trago para a mãe caranguejos
pescados por esses mangues;
mamando leite de lama
conservará nosso sangue.

— Minha pobreza tal é
que coisa não posso ofertar:
somente o leite que tenho
para meu filho amamentar;
aqui são todos irmãos,
de leite, de lama, de ar.
— Minha pobreza tal é
que não tenho presente melhor:
trago papel de jornal
para lhe servir de cobertor;
cobrindo-se assim de letras
vai um dia ser doutor.
— Minha pobreza tal é
que não tenho presente caro:
como não posso trazer
um olho d’água de Lagoa do Carro,
trago aqui água de Olinda,
água da bica do Rosário.
 — Minha pobreza tal é
que grande coisa não trago:
trago este canário da terra
que canta corrido e de estalo.
— Minha pobreza tal é
que minha oferta não é rica:
trago daquela bolacha d’água
que só em Paudalho se fabrica.
— Minha pobreza tal é
que melhor presente não tem:
dou este boneco de barro
de Severino de Tracunhaé
m.
— Minha pobreza tal é
que pouco tenho o que dar:
dou da pitu que o pintor Monteiro
fabricava em Gravatá.
— Trago abacaxi de Goiana
e de todo o Estado rolete de cana.
— Eis ostras chegadas agora,
apanhadas no cais da Aurora.
— Eis tamarindos da Jaqueira
e jaca da Tamarineira.

— Mangabas do Cajueiro
e cajus da Mangabeira.
— Peixe pescado no Passarinho,
carne de boi dos Peixinhos.

— Siris apanhados no lamaçal
que há no avesso da rua Imperial.
— Mangas compradas nos quintais ricos
do Espinheiro e dos Aflitos.

— Goiamuns dados pela gente pobre
da Avenida Sul e da Avenida Norte.

 

 

FALAM AS DUAS CIGANAS QUE HAVIAM APARECIDO COM OS VIZINHOS

— Atenção peço, senhores,
para esta breve leitura:
somos ciganas do Egito,
lemos a sorte futura.
Vou dizer todas as coisas
que desde já posso ver
na vida desse menino
acabado de nascer:
aprenderá a engatinhar
por aí, com aratus,
aprenderá a caminhar
na lama, como goiamuns,
e a correr o ensinarão
o anfíbios caranguejos,
pelo que será anfíbio
como a gente daqui mesmo.
Cedo aprenderá a caçar:
primeiro, com as galinhas,
que é catando pelo chão
tudo o que cheira a comida;
depois, aprenderá com
outras espécies de bichos:
com os porcos nos monturos,
com os cachorros no lixo.
Vejo-o, uns anos mais tarde,
na ilha do Maruim,
vestido negro de lama,
voltar de pescar siris;
e vejo-o, ainda maior,
pelo imenso lamarão
fazendo dos dedos iscas
para pescar camarão.

Outra cigana
— Atenção peço, senhores,
também para minha leitura:
também venho dos Egitos,
vou completar a figura.
Outras coisas que estou vendo
é necessário que eu diga:
não ficará a pescar
de jereré toda a vida.
Minha amiga se esqueceu
de dizer todas as linhas;
não pensem que a vida dele
há de ser sempre daninha.
Enxergo daqui a planura
que é a vida do homem de ofício,
bem mais sadia que os mangues,
tenha embora precipícios.
Não o vejo dentro dos mangues,
vejo-o dentro de uma fábrica:
se está negro não é lama,
é graxa de sua máquina,
coisa mais limpa que a lama
do pescador de maré
que vemos aqui, vestido
de lama da cara ao pé.
E mais: para que não pensem
que em sua vida tudo é triste,
vejo coisa que o trabalho
talvez até lhe conquiste:
que é mudar-se destes mangues
daqui do Capibaribe
para um mocambo melhor
nos mangues do Beberibe.


FALAM OS VIZINHOS, AMIGOS, PESSOAS QUE VIERAM COM PRESENTES ETC.

— De sua formosura
já venho dizer:
é um menino magro,
de muito peso não é,
mas tem o peso de homem,
de obra de ventre de mulher.
— De sua formosura
deixai-me que diga:
é uma criança pálida,
é uma criança franzina,
mas tem a marca de homem,
marca de humana oficina.
— Sua formosura
deixai-me que cante:
é um menino guenzo
como todos os desses mangues,
mas a máquina de homem
já bate nele, incessante.
— Sua formosura
eis aqui descrita:
é uma criança pequena,
enclenque e setemesinha,
mas as mãos que criam coisas
nas suas já se adivinha.
— De sua formosura
deixai-me que diga:
é belo como o coqueiro
que vence a areia marinha.

— De sua formosura
deixai-me que diga:
belo como o avelós
contra o Agreste de cinza.
— De sua formosura
deixai-me que diga:
belo como a palmatória
na caatinga sem saliva.
— De sua formosura
deixai-me que diga:
é tão belo como um sim
numa sala negativa.
— É tão belo como a soca
que o canavial multiplica.

— Belo porque é uma porta
abrindo-se em mais saídas.
— Belo como a última onda
que o fim do mar sempre adia.
— É tão belo como as ondas
em sua adição infinita.
— Belo porque tem do novo
a surpresa e a alegria.

— Belo como a coisa nova
na prateleira até então vazia.
— Como qualquer coisa nova
inaugurando o seu dia.

— Ou como o caderno novo
quando a gente o principia.
— E belo porque com o novo
todo o velho contagia.
— Belo porque corrompe
com sangue novo a anemia.
— Infecciona a miséria
com vida nova e sadia.
— Com oásis, o deserto,
com ventos, a calmaria.



Fonte: https://www.passeiweb.com/morte_e_vida_severina/

 

 

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Curiosidades - Como fazer uma "folha" com o próprio envelope confecciona...


Curiosidades - Como fazer uma "folha" com o próprio envelope confeccionado manualmente




👉Todos nós sabemos o que é um envelope. Todos nós já utilizamos envelopes. E todos nós sabemos para que serve um envelope. O que nem todos sabemos é como surgiu o envelope. Há certas coisas que fazem parte do nosso dia-a-dia, e que já estavam cá muito antes de nós chegarmos, que nem consideramos de onde vieram. No entanto, uma vez que este se trata de um blog sobre artes gráficas, pareceu-me adequado estudar melhor as origens do envelope e escrever um pouco sobre isso.
👉Um envelope, como sabemos, é uma coberta de papel ou outro material para guardar cartas, documentos ou impressos de qualquer outra natureza para enviar pelos correios. Tratando-se de um objeto prático e descartável, foi desenhado com o propósito de enviar informações para um determinado destinatário.
👉Analisando a palavra envelope etimologicamente, percebemos que vem do francês “enveloppe” (e o seu empréstimo ao inglês “envelope”), termo esse que poderia ser introduzido para português como envoltório, ou seja, algo que envolve. Mas onde começa a história do envelope? É nessa aventura através do tempo e da história que nos lançamos nos próximos parágrafos.
História do envelope: da antiguidade clássica a Nova Iorque
👉Segundo várias investigações realizadas ao envelope, temos de retroceder cerca de 4000 anos para começarmos a percorrer a história do envelope. Consta-se que o mais antigo “envelope” de que há testemunha foi feito de nada mais, nada menos que barro.
Tratava-se então de um revestimento de barro cozido do qual se serviam os babilónios, por volta do ano de 2000 A.C., para fazer selar mensagens oficiais que, estranhamente, eram feitas do mesmo material. A ideia é que o barro tornasse a mensagem “inviolável” até que chegasse às mãos do destinatário. Por esta altura, o conceito e necessidade de envelope começa a ganhar forma.
Porém, o envelope, tal como hoje o conhecemos, é um utensílio moderno. Os seus ascendentes são mais próximos: trata-se dos correios organizados, da substituição económica do pergaminho pelo papel e do predomínio da burguesia europeia. De forma natural, a necessidade de criar algo capaz de transportar missivas surge e não tarda a ganhar forma o envelope.
Na Idade Média há registos de que a carta era dobrada, mas é preciso esperar, por testemunhos escritas, até ao século XVII, para que a sociedade europeia veja a conveniência de vestir a carta num invólucro mais apropriado: Antoine de Courtin escreve que “o revestimento (“enveloppe”) de papel sobre o qual pôr a morada da carta é um sinal de respeito ao superior a quem se escreve”.
Por norma, este é considerado como o primeiro testemunho escrito da palavra “enveloppe” em referência ao objeto que deu lugar ao envelope moderno. Sendo a corte de França então a referência de moda para as classes dirigentes europeias, não é estranho que o “enveloppe” francês tenha cruzado o canal da Mancha até Inglaterra e que o nome tenha sido transportado para se enraizar na corte inglesa.
Muitas alterações, que vieram impactar a forma como usamos os envelopes, aconteceram então no século XVIII. Até esta altura os correios eram governados por pura anarquia, com cartas enviadas em todo o tipo de papéis, com moradas imprecisas e populações sem nomes nas ruas. Todavia, a Assembleia Francesa (1792) introduziu algumas mudanças, obrigando a pôr a morada do destinatário para que um agente governativo não tivesse que abrir o papel para conhecer a quem se dirigia a carta. Cerca de três décadas mais tarde, a 26 de Fevereiro de 1820, a Assembleia Constituinte francesa decidiu racionalizar o território em departamentos e dar nome às ruas de Paris e rotula-las. Mas até 1830 não começou a distribuir-se o correio domiciliário.
Em 1837, Rowland Hill publicou em Londres uma brochura intitulada de Post Office Reform, its importance and practicability onde defendia que fosse introduzida uma cobertura uniforme para a distribuição. Assim apareceu o selo mais famoso da história: a rainha Vitória, retratada com 18 anos, que esteve vigente no Reino Unido durante os sessenta anos que durou o seu reinado.
Por essa época, a recuperação do correio em função do número de papéis foi uma barreira mental para a invenção do envelope como cobertura da carta. E foi o comprovativo de que o tráfego da correspondência se encarecia mais pela anarquia dos papeis do que pelo seu número, o que levou à ideia de que uma cobertura uniforme com espaço para a morada e franqueio facilitava o serviço de correios.
Assim se chegou em Inglaterra ao “envelope Mulready”. W. Mulready, membro da Royal Academy, que ganhou em 1840 um concurso oficial de ideias por uma cobertura padrão de franqueio pago. Fracassou pela sua estética cortesã, mas abriu um caminho de liberdade que tem perdurado até hoje. Entretanto, em 1848, em França, decidiu-se por decreto a obrigação de colar selos nos envelopes no ângulo superior direito dos objetos franqueados.
Disp. em http://publicidademarketing.com/historia-do-envelope/. Acesso em 10/11/21.